a ilha dentro de nós
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
casas ... e ilhas???!!!
Words (...) are little houses, each with its cellar and garret. Common-sense lives on the ground floor, always ready to engage in "foreign commerce", on the same level as the others, as the passers-by, who are never dreamers. To go upstairs in the word house, is to withdraw, step by step, while to go down to the cellar is to dream, it is losing oneself in the distant corridors of an obscure etymology, looking for treasures that cannot be find in words.(...) to mount too high or to descend too low is allowed in the case of poets, who bring earth and sky together.
in Bachelard, 1964, The poetics of space.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
um lugar para os dias
a ilha é um lugar espesso e lento. A terra onde nasci e onde tenho vivido. Por muito que dela se diga ou não diga, a ilha é sempre uma reserva de ansiedades. Viver num pequeno território montanhoso cercado de oceano é ter o coração à beira do abismo e do naufrágio (...)
a ilha abriga sons felizes, mas estabelece um temível fragor que é o do confronto entre a ternura e o descontentamento.
Entre o perigoso abraço da ilha e o incerto acolhimento do mundo, escolha quem puder.
in Irene Lucília, 2013, Um lugar para os dias, p. 21-22
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Regressámos com a luz do poente; as nuvens rubras e cor de âmbar entornavam os seus derradeiros matizes sobre o Funchal, doirando o mar na baía. Nasceu a Lua antes que deixássemos a estrada costeiro; e que bela parecia reflectir nas águas cintilantes a sua claridade branca e suave! (...) a Lua na Madeira (...) quando sobe, dá uma luz alvacenta, mas quando está em todo o seu fulgor, em vez dos frios raios azuis do luar britânico a claridade é perfeitamente amarela e tão brilhante ...
Isabella de França, 1853, p. 151
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
lágrimas de pérolas ....
-A última noite do ano traz uma certa nostalgia...
- Interessante, estava a pensar o mesmo: não a senti chegar.
- As nuvens ainda estão pouco densas, os passos não se ouvem: já por aqui andava, quando chegou. Mas, São Silvestre, não fique de pé por cerimónia, desloque a sua nuvem e sente-se, por favor!
Maria referiu então que a última noite do ano deveria constituir uma fronteira entre o passado e o futuro, uma possibilidade de arrependimento e de esperança para todos. O Pai Natal tentou disfarçar o arrependimento pelas suas inusitadas férias e disse-lhe:
- Tenho a sensação de que está triste.
Maria lembrou-se ainda mais da Atlântida, engolida pelas águas. Não conteve as lágrimas, que eram de nostalgia e misericórdia, já que a Humanidade deixara perder o divino que há em si e, apesar do castigo, não se tinha emendado. Afinal ... não eram lágrimas, mas sim pérolas autênticas que brotavam do olhos de Maria ... e ... uma delas ... foi cair no preciso local onde a Atlântida se situara.
- Veja, Maria, está a nascer uma ilha!- É a Madeira, a futura Pérola do Atlântico!
António Castro, 2008, in Leituras Soltas, pp 20-21.
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013
um pedaço do nosso passado .....
Ninguém, em verdade, viaja para uma ilha.
As ilhas existem dentro de nós, como um território sonhado, como um pedaço do nosso passado que se soltou do tempo...
Mia Couto
( foto de Henrique Freitas )
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
porque em Dezembro já se é mais ilha ......
Escutavam-se
na manhã os ecos
das
canções
de
Natal.
Sonhos breves sobrevoavam
o
casario
e a
árvores acordavam
enfeitadas
nas
nuvens que cobrem
os
presentes.
Na
avenida solitária
mistura-se
o silêncio
com
os gritos de alegria
na
voragem
de um
rosário de descobertas
onde
as surpresas
são
as certezas
do
dia.
e
abraçou
os
tectos e as calçadas.
de
ser pobre
nessas
madrugadas.
José
António Gonçalves
in
"Lembro-me
desses Natais"
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
Pérola do Atlântico
Pasma-se, como é que em dois palmos de terrenos - que parece abençoado - foi possível juntar tantas graças, tantos encantos, tantas surpresas, tão grandes deslumbramentos!
O azul das águas mediterrâneas, a vegetação de Valparaíso, a grandeza das montanhas alpestres, a suavidade dos lagos suíços, a paisagem imponente dos Pirenéus, tudo existe nesta ilha de romance, a que se chama Pérola do Atlântico.
(...)
A ilha da Madeira é uma das mais puras, mais graciosas, mais fantásticas, mais fascinadoras obras que a mão do Criador deixou na Terra!
in António Montês, Terras de Portugal, 1939
..... não concordam?
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