quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Momentos... olhares....


Fotos de Arantza Uriarte
 
 
Que mar é este que nos enfeitiça? De que fala? O que esconde? O que revela?
 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

[Daqui] vejo sempre a minha ilha


[Daqui] vejo sempre a minha ilha. Serena. Tranquila. Azul. É mar. A minha ilha é da cor do mar. Azul intenso, brilhante, estonteante nos dias de sol. Azul-escuro, quase cinzento, tão cinzento que se confunde com o calhau, nos dias encobertos. Mas é azul. Sempre azul e cheira a maresia, a imensidão, a caminho por desbravar... a ida ... a vontades ... a sonhos ....

A minha ilha nem sempre é minha, é de todos: dos estrangeiros que, desde criança, de mão dada com a minha avó, aprendi achamar “ingleses”. Sim. Os nossos turistas eram todos ingleses...e eu acreditava. A minha avó não mentia e eu nem sabia de onde vinham nem tão pouco porque nos visitavam. Não sabia, mas aprendi.

Aprendi:

- primeiro, a língua destes visitantes de Além- Mancha e tive pena de não a poder ensinar à minha avó. Ela não sabia ler nem escrever. E depois visitei a sua pátria: a Grã-Bretanha. A Ilha de sua Majestade Elisabeth II... tão imensa, tão cosmopolita ... e aprendi a amar Londres [de onde não se vê o mar].

- que as ruas por onde todos os dias passo, que as habitações que caracterizam a cidade onde nasci, que o mobiliário que ainda hoje decora muitas das nossas residências, que os jardins onde me escondia para namoriscar, guardam em si a marca dos britânicos que durante o século XIX se estabeleceram na capital funchalense e se dedicaram ao comércio do Vinho da Madeira projectando o saboroso líquido, mas igualmente o nome da minha terra além mar.

- que o bordado da Madeira diz-se ter sido trazido por Mrs Phelps e, embora a minha avó passasse tardes inteiras a bordar, insistindo pacientemente para que eu aprendesse nem que fosse afazer uns garanitos, nunca consegui.

- que as quintas madeirenses pertenciam quase todas aos ingleses e que a casinha de prazeres é mais um toque anglístico que ainda perdura na Pérola do Atlântico. Aprendi que a 1ª. Fábrica de cerveja pertenceu a Henry Prince Miles e que a 1ª fábrica de manteiga a John Blandy. Que o carro de bois foi ideia do Major Buckley e que o carro de cestos, que ainda hoje desce o caminho do Monte, foi projectado por Russel Gordon.

- que a fábrica, onde durante toda a minha infância e juventude, se produzia açúcar pertencia à família Hinton e que a família Blandy era a dona da casa onde vivia a minha avó e de todas as outras casas das redondezas.

- que o cônsul Henry Veitch mandou construir não apenas a casa que se destaca na margem da Ribeira de Santa Luzia como também a Quinta Calaça e a Quinta do Jardim da Serra, onde cultivou chá; e que o Reid’s Hotel é o sonho de William Reid tornado realidade. E mais. Muito mais. Sim, porque o tamanho da ilha é pequeno mas a sua grandeza não tem dimensão. E sobretudo aprendi a amar o (meu) recanto ... tão cheio de encantos ...

E reencontrei-te. Aqui. Na nossa ilha … e (des)fez-se o singular … (re)fez-se casa … e (a)fez-se azul… [ do mar e dos teus olhos]

 

Cláudia Faria

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

na Madeira ........

 
 
Na Madeira, em paisagem, não há o feio.
Há o bonito. Há o belo e o grandioso.
 
Max Römer
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

precisas do destino do teu mapa?





 
 
foto enviada por Arantza Uriarte
 
 
 

As cicatrizes da ilha são iguais às minhas
supuram do silêncio de um vulcão
os veios que me tingem
nos teus filões se missagam
 
há um olhar basáltico
em cada onda que não regressa
e cujas saudades me fazem falta
 
precisas do destino do teu mapa?
 
 de Cláudia Faria
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

DA MINHA ILHA.... O MAR

Foto enviada por Alda Borges



Da minha ilha, vê-se o mar. Sentado no colo da terra, o futuro espreita os navios que chegam do mundo. Ali, o olhar colado ao longe, sonha-se com o que há de vir, com os segredos das marés, com a novidade que chega das outras margens que o mar tem. Da minha ilha, vê-se o mar. O tempo fixou-se neste retrato tirado na Avenida, ainda São Lázaro era calhau, ainda as canoas se embalavam no abraço doce da baía, ainda Alda Borges era menina.

Da minha ilha, vê-se o mar. E o tempo. E a distância. E a possibilidade azul de sermos maiores do que nós.

AGORA É A VOSSA VEZ! Que olhares têm sobre a (nossa) ilha? Que fotos guardam com a ilha dentro? Estamos à vossa espera.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Elsiane - Mend (personal visual transaltion of a magic song) - Chill mus...


ISTO DE SER ILHA, ESTA ILHA

Quem nasceu numa ilha conhece muito bem o mundo. Ali, a redondura da terra é uma espécie de cosmos, com tudo o que é preciso, na versão casa de bonecas. Na ilha, a natureza vive ao lado do nosso prédio e deixa-nos participar da sua vida. As festas e as desgraças. As alegrias e as dores. Quem nasceu numa ilha, conhece todos os lados da lua, compreende a dureza do basalto, sabe que é capaz de construir as casas na varanda da serra, de pegar na enxada para desenhar os poios, de ir, quando o tempo é de ir e de lutar, quando o tempo é de ficar. Nós, os que nascemos numa ilha, sabemos o que é viver lado a lado com o que compõe o barro que somos: com o ar que nos entontece os sentidos quando nos grita nas janelas ou, na bonança do verão, nos sopra ao ouvido canções de embalar; com a pedra dura da montanha que empareda a luz das planuras mas que nos biomba do vento norte que nos gela as mãos; com o fogo que, às vezes, bravo, nos enfogueira o quintal mas que nos cura as terras do cansaço das sementes; com a água que se despenha dos rochedos e nos enverdece as florestas e nos limpa os olhos dos nevoeiros. Quem nasceu numa ilha, sabe que o mar traz o azul na ponta dos dedos e que, por isso mesmo, é um lugar de amanhãs e de dias felizes. E sabe ouvir os segredos da maré cheia e os silêncios do canto rolado dos calhaus. Sabe a força que tem, porque a sua força é feita de água e de céu, é feita de pedra e de esperança, é feita de luz. Quem nasceu numa ilha, nesta ilha, sabe que a coragem é a vingança ilhoa contra o medo, que o trabalho é a luta ilhoa contra a pequenez, que a esperança é o único meio de não perder o pé. Quem nasceu numa ilha, nesta ilha, sabe que tem o destino na mão, porque algures, no seu peito, bate, azul, o coração do mar.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

... o que pretendemos ....




e porque ninguém se liberta de uma ilha ( Helena Marques) e/ou  porque a ilha nunca se liberta de nós, criamos este espaço onde iremos partilhar as utopias e distopias da nossa ilha ... este é um lugar que se quer livre e descomprometido ... de diálogos e monólogos ... de ausências e presenças.... de apeadeiros e de corredores ... um lugar seu e nosso ...

... vamos falar de nós, do que gostamos, do que pensamos, do que vamos lendo, ouvindo e registando mas também queremos saber o que pensam e o que sentem ... este é um espaço de um plural que se quer uno...


sejam todos bem-vindos!!!! a porta está escancarada ....